UMA PARANAENSE NO SERTÃO NORDESTINO

Neiva Maria de Freitas nasceu em Santa Mariana, Paraná, no ano de 1962. Ao completar dez anos, mudou-se para Cianorte onde sua família passou a morar. Em Cianorte se casou e teve dois de seus três filhos. Em 1988, transferiram-se para Campo Mourão onde nasceu seu terceiro filho.
Neiva sempre gostou do trabalho voluntário, porém as atividades de casa e com os filhos não lhe permitiam se dedicar às ações sociais.


Em 1995, conheceu pessoas ligadas à Igreja Presbiteriana do Brasil e logo se encontrou com o Pastor João Francisco dos Anjos com quem iniciou os estudos bíblicos. Quanto mais desenvolvia seus estudos, mais se interessava pelo trabalho missionário.
Sempre que via pela TV notícias do Nordeste brasileiro, a pobreza devido à seca sentia vontade de fazer algo por aquele povo sofrido, sem oportunidade de mudar seu destino de miséria, povo usado pelos políticos para angariar votos em troca de água e de promessas mirabolantes.
Em 1998, mudou-se com a família para Maringá, onde conheceu o pastor Paulo Emílio e continuou a frequentar a IPB. Nessa época, com os filhos crescidos e com o casamento em crise, percebeu a chance de se dedicar à vida missionária.
Nesse tempo, o pastor Jessé Guimarães pastoreava a Igreja, apoiado pelos presbíteros que, com ele, formavam o Conselho da Igreja.
Conhecendo o dom missionário de Neiva, o Conselho a encaminhou, como voluntária, para uma viagem missionária do grupo de Maringá. Gostou muito, mas ao voltar, foi aconselhada a esperar por um tempo até perceber se estava realmente disposta a continuar na missão.
No ano seguinte, Neiva ingressou no Curso de Preparação de Obreiros no Instituto Bíblico do Norte em Garanhuns, Pernambuco. Do curso constavam estudos teóricos e a prática já a colocava, junto com seu grupo, em obras missionária no sertão nordestino onde a falta d’água e o descaso dos governos geraram uma população carente de tudo.
A IPVO (Igreja Presbiteriana da Vila Operária de Maringá) mantém o projeto TEAR (Trabalhando, Evangelizando, Amando e Restaurando) e Neiva pensou em desenvolvê-lo no sertão. Lá, conheceu a missão Sal da Terra através do também missionário Elio Rocha, um trabalho de desenvolvimento humano através de atendimento à saúde e evangelização, cursos de artes plásticas, cerâmica artesanal, computação e pintura. A parceria entre as duas missões teve resultado bastante positivo.
Neiva, com o apoio da IPVO de Maringá e da Missão Sal da Terra de Garanhuns começou uma campanha direcionada à perfuração de poços artesianos, pois sabia que no subsolo havia bastante água e que deixar a população naquela miséria por falta de água não era “coisa de Deus”. Paralelamente à busca por recursos para a perfuração de poços, Neiva se dedica a cursos de culinária e artesanato.
A primeira atuação marcante da paranaense, junto com o presbítero João Ramos Neto (Sal da Terra), foi na comunidade Lagoa da Extrema, município de São José de Belmonte. Com o fundamental apoio da IPVO de Maringá e da IPB de Garanhuns, realizou um sonho que parecia impossível: a perfuração do primeiro poço, para a alegria e alívio de quarenta famílias daquela comunidade, que sobreviviam retirando água de poços barrentos os quais persistiam apesar da seca.
Iniciou-se então o trabalho para a perfuração de mais um poço, agora na comunidade conhecida como Sítio do Icó, distrito de Fátima, município de Flores, onde trinta e cinco famílias viviam na mais absoluta pobreza. Para essa ação, foi de fundamental importância a participação da IP de Vitória – ES, igreja da Mata da Praia, representada pelo presbítero André Vicente.
Nessa comunidade, não havia ainda pessoas ligadas à igreja, porém com o trabalho de evangelização e cursos visando à promoção humana, formou-se uma comunidade evangélica.
Agora o foco voltou-se para a comunidade Alto das Negras, porém ali não havia água no subsolo.
Outra comunidade onde não se conseguiu fazer jorrar água foi Triunfo. Naquele local, a dificuldade foi a grande quantidade de pedra. Nessas comunidades, os missionários passaram a oferecer água através de caminhões pipa.
O terceiro poço foi perfurado na comunidade chamada Curral Novo. Esta ação foi possível com a ajuda do Pastor Johny Gomes, da Igreja Batista em parceria com a IPB Maringá e de Garanhuns.
Em Garanhuns, Neiva se casou com Elio Rocha o que fortaleceu o trabalho missionário, focado na conquista de condições para perfuração de outros poços bem como orientando as famílias através de cursos de culinária e artesanato enquanto outros setores da missão fazem atendimento à saúde (incluindo saúde bucal) um ensino para formação de hortas (horta econômica que consiste em forrar com plástico os canteiros para a manutenção da umidade), também incentivando a criação de aves pequenos animais.
O Conselho Missionário da IPB Maringá tem como atual presidente Wladimir Ferrari e seu vice é Rodrigo Andrian.
Nota: A Igreja Presbiteriana chegou em Pernambuco, mais precisamente em Garanhuns e Canhotinho em 1898 pelo médico-pastor George W. Butler, conhecido como o médico amado, pois o povo o considerava como “médico com alma de pastor e pastor com alma de médico”. Informações fornecidas pelo Pastor Emanuel Clementino Almeida, da Igreja Presbiteriana do município de Canhotinho.
Conta-se que a chegada dos primeiros evangélicos na região foi muito traumática. Os pastores e seu grupo eram recebidos a pedradas pelas comunidades. Entretanto, aos poucos as pessoas foram percebendo o trabalho missionário desenvolvido pela Igreja e então a IP se fortaleceu e hoje desenvolve importante missão da qual participa a missionária paranaense Neiva de Freitas Rocha.

Cida Freitas / Cidinha Coletty

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