quarta-feira , 16 agosto 2017
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Terapia Hormonal na Menopausa (THM)

A  menopausa é definida como parada permanente dos ciclos menstruais devido à deficiência de hormônio sexual feminino (estrógeno e progesterona) que ocorre naturalmente, ou seja, geneticamente,mas também pode ocorrer induzida por cirurgia, quimioterapia ou radiação.
A idade média de ocorrência da menopausa é de 50 e 51 anos (mínima 45 e máxima 59) e seu diagnóstico é retrospectivo, após um período de 12 meses contíguos em amenorreia, ou seja, parada da menstruação. Geralmente precedida por ciclos menstruais irregulares, sem outra causa definida.
Estima-se que 75 % das mulheres terão algum sintoma típico relacionado à menopausa e à transição menopausa (período variável de tempo que antecede a menopausa). Os fenômenos vasomotores, como fogachos (sensação de calor excessivo) e suores noturnos, são os mais comuns no ocidente, com problemas de saúde significativa em 25 % das pacientes. Em algumas mulheres, a irregularidade menstrual é o sintoma mais importante da transição para a menopausa.


Outros sinais relacionados à perda da função ovariana incluem infecção urinária, ressecamento vaginal, prejuízo na função sexual por dispaurenia (dor no ato sexual), distúrbios do sono, sintomas depressivos, ansiedade, labilidade emocional, déficit de memória, cefaleia, dores articulares, ganho de peso, fadiga.
Estas alterações levam a um prejuízo na qualidade de vida, na função social e laboral das mulheres acometidas. A obesidade aumenta a frequência referida dos sintomas em 1,5 a 2, vezes. As mulheres afro-americanas estão mais propensas, enquanto as chinesas ou japonesas estão sob menor risco .
A nicotina é outro fator de piora. Mulheres que fumam entram na menopausa em média 2 a 3 anos antes, em relação as não fumantes, e tem risco 60 % maior para fogachos.
A terapêutica hormonal tem passado, nos últimos anos, por dúvidas e incertezas, em conseqüência de diversas publicações relacionadas a seu uso e desta forma, torna-se importante analisar as vantagens e desvantagens dessa terapia, uma vez que surge de tempos em tempos, uma literatura contraditória a esse respeito. É uma estratégia de tratamento que reduz os sintomas decorrentes da variação hormonal e também uma aliada na prevenção de doenças crônicas que possam piorar ou mesmo ser desencadeadas pela redução dos hormônios sexuais. Os estudos adicionais tem demonstrado que a TRH tem efeitos benéficos nos ossos, câncer de colon (intestino), qualidade de vida e sintomas específicos da menopausa.
Embora a deficiência hormonal (estrógenos)seja tratável, menos de 20% das mulheres pós menopausa recebem tratamento de reposição hormonal (TRH) . A decisão de uma mulher em usar essa terapia é um processo complexo, determinado: pela recomendação de seu médico, pelo risco individual de doenças, pelas atitudes frente à menopausa, pelos valores, pelos sintomas menopausais e pelo meio ao qual a mulher pertence.
Preocupações da paciente com a menopausa frequentemente, acarreta amplo espectro de emoções, associado às alterações hormonais e corporais características deste período, torna o cotidiano muito difícil interferindo em todas áreas de atuação da mulher. A resposta de uma paciente à menopausa pode ser afetada por fatores como estilo de vida e o controle do processo de envelhecimento. A perda da fertilidade e da função menstrual que acompanha a menopausa, natural ou cirúrgica, pode ter impacto sobre a sensação de bem estar de uma mulher. O médico deve ser sensível ao sofrimento emocional, que pode ser significativo, enfrentado por mulheres que entram na menopausa e deve estar preparado para oferecer apoio psicológico.
Devido às contra-indicações, absolutas e relativas para a terapia hormonal – deve ser individualizada.
Recomenda-se iniciar a terapia hormonal precocemente na transição menopausal, assim que apareçam sinais de hipoestrogenismo, em uma idade alvo entre 50-59 anos. De forma geral, a terapia não deve ser iniciada em mulheres acima de 60 anos e também não deve ser prescrita se houver uma contra-indicação ou uma decisão da paciente em não usar, desde que adequadamente informada. O uso prolongado para a prevenção de doenças degenerativas, especialmente em mulheres assintomáticas, deve ser decidido individualmente, de acordo com as características e risco de cada mulher. A decisão dependerá do risco para cada doença sobre a qual a TRH possa interferir da compreensão da paciente em relação às evidências da literatura,do desejo e disposição em fazer o uso prolongado da medicação.
Os principais benefícios da terapia hormonal consistem na melhora importante dos sintomas vasomotores sendo a terapia de escolha para esses outros sintomas urogenitais, com redução do ressecamento vaginal, frequência de infecção de repetição, dispaurenia (dor no ato sexual), dor e prurido vaginal.
A reposição hormonal é uma terapia segura e com benefícios bem estabelecidos, manter um acompanhamento regular e com reavaliações periódicas é fundamental para a segurança do tratamento, minimizando efeitos colaterais e riscos.
Devido às contra- indicações absolutas e relativas, o tratamento hormonal deve ser individualizado para cada paciente. No caso da paciente apresentar risco absoluto para terapia hormonal pode ser utilizado tratamentos alternativos não hormonais tópicos ou sistêmicos
Sendo assim, todo médico, antes de prescrever a TRH, deve ter um diálogo franco com suas pacientes, informando sobre o significado e as conseqüências da privação estrogênica no climatério e os riscos, benefícios, efeitos colaterais e contra-indicações da mesma. Portanto, nunca deve ser esquecido o papel fundamental exercido pela atividade física, dieta equilibrada e abolição do tabagismo na prevenção de doenças. Ainda é importante a realização de mamografia ou ultrassonografia da mama bem como ultrassonografia transvaginal além da monitorização da pressão arterial, da glicose, do colesterol e dos triglicerídeos séricos antes de iniciar qualquer TRH.

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