Tecnologia e batom combinam? Combinam, sim!

A luta para que o mercado de tecnologia se torne mais feminino tem sido travada em diferentes arenas. Conheça algumas das mulheres de destaque nesse segmento no Brasil

Não é de hoje que as mulheres desbravam o mundo da tecnologia: Augusta Ada King, a Ada Lovelace, já atuava na área na década de 1840. Apesar de ainda hoje ser difícil para nós, mulheres, conseguir espaço em alguns segmentos, há quem encare as dificuldades e desbrave cantos escondidos. Neste 8 de março, vamos falar de brasileiras que têm atuado no mercado de tecnologia e, de uma ou outra forma, puxam a fila e incluem outras interessadas nesse universo.

Uma delas é Ariane Parra. Engenheira de formação, ela sempre notou a falta de presença feminina nos ambientes em que passou — para completar, Ariane é gamer e percebia a mesma situação na arena dos jogos. “Ficou claro para mim que o mercado de games precisava da inclusão de mulheres. Eu não queria mais me sentir estranha por gostar de jogos e gostaria de poder dividir isso com outras meninas”, conta.

Para ela, falar de representatividade feminina nesse cenário era uma necessidade. Então, em 2014, ela fundou a WomenUp Games, uma organização de inclusão de mulheres no mercado de games. Um ano depois, em 2015, a instituição foi uma das vencedoras da segunda edição do Prêmio Mulheres Tech em Sampa, que tem apoio do Google e recompensa as cinco principais iniciativas de inclusão de mulheres em tecnologia.

Ciranda de Morais também se destaca no mercado de tecnologia brasileiro: ela é fundadora da She’s Tech. Apesar de sua formação em comunicação, Ciranda sempre atuou no setor de varejo: era sócia de uma rede de farmácias. Até que decidiu criar, em 2016, um marketplace de entrega de medicamentos. Para se capacitar, foi em busca de cursos no Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Foi lá que ocorreu seu primeiro contato com a área de tecnologia. “Foi um choque: de 50 alunos, apenas nove eram mulheres. Em seguida, participei de um programa de aceleração e, das 43 startups participantes, só cinco tinham CEOs mulheres. Percebi que era preciso criar uma rede de apoio para fortalecer as mulheres no setor de tecnologia”, lembra. Para isso, sua She’s Tech tem como base três pilares: inspirar, a partir da representatividade, engajar, com uma rede de apoio, e capacitar com conteúdos de qualidade. “Precisamos mostrar a mulher na tecnologia para que as meninas se vejam naquele lugar e tenham referências fortes.”

Os desafios se tornaram degraus

O caminho foi tortuoso para ambas, mas elas acreditam que o propósito por trás do trabalho que fazem é mais importante do que as barreiras que enfrentam. “Em games, por exemplo, as meninas tinham vergonha de assumir que jogavam. Isso porque, quando revelavam que eram mulheres, sofriam assédio ou eram xingadas. E isso ainda acontece hoje”, diz Ariane. “Enfrentamos muitas barreiras invisíveis”, relata Ciranda. Ela criou, inclusive, uma teoria para demonstrar isso: a Teoria das Portas de Vidro.

Apresentada em dois eventos do Google (o Community Summit Brasil e o Global Community Summit) e um TEDx, a teoria de Ciranda mostra como as mulheres são mantidas longe da tecnologia nas diferentes fases da vida — da infância à idade adulta — por barreiras invisíveis. “Na maioria das vezes, os ambientes que envolvem a tecnologia são sexistas. Um dado importante é que só 4% dos fundos de venture capital investem em startups de mulheres, por exemplo. Por isso, é essencial que haja a conscientização.”

Ariane lembra que um de seus maiores desafios foi se comunicar com as grandes empresas do segmento. “Foi difícil explicar que era preciso haver uma mudança, que era necessário incluir as mulheres”, lembra. E qual a importância disso? A Pesquisa Game Brasil (PGB) 2018 indica que as mulheres já são maioria no contexto gamer: segundo o estudo, elas representam hoje 58,9% dos jogadores.

Ariane concorda que é preciso que haja mais ações para a inclusão de mulheres em tecnologia e vai além: as meninas devem acreditar que podem, sim, ser o que quiserem. “Mais que isso, porém, é essencial que as mulheres não desistam de seus sonhos se esse for o segmento em que elas querem atuar”, aconselha Ariane. “O passarinho, quando aprende a voar, sabe mais de coragem do que de voo. É preciso que as mulheres tenham a coragem de tentar e errar, em vez de esperar o ‘momento certo’, porque ele não existe”, reforça Ciranda. “Tecnologia é lugar de mulher, sim!”, completa.

Cenário mais feminino, mas ainda tímido

De empreendedoras individuais a grandes executivas, as mulheres buscam, cada vez mais, seu espaço no setor de tecnologia. Veja, a seguir, outras oito mulheres que se destacam nesse universo no Brasil.

Ariane lembra que um de seus maiores desafios foi se comunicar com as grandes empresas do segmento. “Foi difícil explicar que era preciso haver uma mudança, que era necessário incluir as mulheres”, lembra. E qual a importância disso? A Pesquisa Game Brasil (PGB) 2018 indica que as mulheres já são maioria no contexto gamer: segundo o estudo, elas representam hoje 58,9% dos jogadores.

Ciranda afirma que é preciso continuar essa luta. “A conscientização é a base desse trabalho, já que não é possível mudar o que não reconhecemos que existe. Para falar de diversidade nas empresas, é importante que as companhias sejam realmente inclusivas — e isso começa com a empatia”, ensina Ciranda. “Já fiz palestras para públicos completamente masculinos e muitos homens disseram que não percebem esse cenário ou que nunca pensaram sobre isso.” A She’s Tech, de Ciranda, apoia o HeForShe(ElesPorElas), um movimento mundial da Organização das Nações Unidas (ONU). “Chamamos os homens para discutir a nova feminilidade e a nova masculinidade porque é importante conversar sobre esse assunto.”

Ariane concorda que é preciso que haja mais ações para a inclusão de mulheres em tecnologia e vai além: as meninas devem acreditar que podem, sim, ser o que quiserem. “Mais que isso, porém, é essencial que as mulheres não desistam de seus sonhos se esse for o segmento em que elas querem atuar”, aconselha Ariane. “O passarinho, quando aprende a voar, sabe mais de coragem do que de voo. É preciso que as mulheres tenham a coragem de tentar e errar, em vez de esperar o ‘momento certo’, porque ele não existe”, reforça Ciranda. “Tecnologia é lugar de mulher, sim!”, completa.

Cenário mais feminino, mas ainda tímido

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