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Saudades…

* Vicente Estanislau Ribeiro     

Quando estamos imersos em nós mesmos, parece que, naturalmente, sem muito esforço, os pensamentos voltam ao passado.
A gente começa a rebobinar as fases do tempo vivido e vai passando pela nossa memória um acervo de coisas, como se fosse um filme.
Será que é o temido vírus da nostalgia?
Caso seja, acho que não existe vacina para tal.
Ou, também pode ser a idade que vai chegando impiedosamente, e afeta os neurônios, estimulando-nos com frequência as frases “naquele tempo”, “na minha época”, e por aí vai…
De fato, ficamos mais emotivos e sensíveis ao toque pretérito.
É o sinal de que estamos ficando velhos?
Fico apreensivo com a velhice e suas consequências.
Mas, o que é ser idoso e qual seu indício?
Deve ser a partir do momento em que as velinhas do bolo, ficam mais caras do que o próprio bolo.

Mas, pensando bem, o ato de envelhecer é um privilégio para poucos; muitos se vão na tenra idade.
E, só tem histórias de vida para contar aquele que fez parte, quer como protagonista ou coadjuvante, não importando o seu papel e nem o personagem.
Então, sentir saudades faz parte do filme de nossas vidas.
Quem pensa que o tempo faz esquecer, esquece que a saudade faz lembrar.
O ilustre amigo, Dr. Celso Rossi, sempre que pode, interage com os internautas, fazendo indagações simples, porém pertinentes, uma delas recentemente foi, (do que você tem saudades de Jacarezinho?).
Isso nos remete a tantas coisas, a começar pelas brincadeiras da nossa infância, os amigos e colegas vizinhos, tanto de rua, como ao redor dos quarteirões; das escolas Marilac, Rui Barbosa e Colégio Dom Pedro II, por onde passamos, das matinês dominicais no Cine Iguassu e Cine Éden, com filmes do Tarzan, Mazzaropi, seriado do Batman e tantos outros, com o incansável “lanterninha” vigiando e aquietando a agitada galera.
E, as brincadeiras dançantes?
Não em clubes, e sim, nas residências dos amigos conhecidos e, às vezes, nem eram conhecidos.
O aparelho de som da época, era o toca-disco, tipo Sonata, portátil, leve, de fácil uso e locomoção.
Tudo na mais perfeita harmonia, som audível, músicas lentas inesquecíveis, dança de corpos coladinhos e de olhos cerrados.
Não tinha confusão, nem desconfiança. Nada de maldade.
O que tinha, era uma concorrência entre os amigos para ver quem iria dançar e ficar com a mais bonita da noite.
O ficar de ontem não é o mesmo ficar de hoje. O de hoje é literalmente ficar ficando.
O de ontem, era ficar esperando…esperando… e nada acontecia mesmo, com muito custo, uns beijinhos e só!
Já era uma vitória para tagarelar a semana e o mês inteiro.
Bebidas? Me lembro como se fosse hoje, o tal do “ponche” uma mistura de vinho com pedacinhos de maçã dentro de um caldeirão de alumínio, juntamente com uma concha, e aquilo era o máximo, uma loucura.
Cigarros? A maioria para fazer bonito para as garotas, como uma auto-afirmação, mais para aparecer do que propriamente um doce prazer.
Até tentei, usando a famosa marca da época, cigarrettes “du Maurier”, mas por curtíssimo tempo, não fui convencido e nem aliciado pela multinacional do tabaco.
Ainda na adolescência, fui guarda mirim, era feliz, e não sabia.
E, para ser um mirim, tinha que estar estudando, se não, nem pensar.
Além do que, duas horas de instrução militar diária, na parte da manhã, e depois cada qual no seu trabalho.
O meu, era no Banco Bamerindus, onde permaneci por mais de vinte anos.

Esse meu primeiro emprego, posso dizer que foi o meu doutorado de vida, ali aprendi muitas coisas; o que sou, fiz, faço e tenho, é graças a ela, a Guarda Mirim.
Relembro, com saudades, dos movimentos de jovens católicos, como o SHALOM, ao qual pertenci, mas tinham outros, como o JAPA e o JAUNAC.
O Tiro de Guerra, que aprendizado de vida, de hierarquia, disciplina, responsabilidade, ordem, respeito e acima de tudo, cidadania.
Os companheiros atiradores, quantos momentos de guardas, cumplicidades, sofrimentos, risadas; mas conseguimos terminar o que começamos.
As recordações são tantas e tantas, que fica difícil expressá-las no papel, são períodos distintos e inesquecíveis ao longo de nossa vida.
E, parafraseando o mestre e poeta Mário Quintana, “O tempo não pára! Só a saudade faz as coisas pararem no tempo”.

  • Vicentinho é Secretário de Planejamento do Município de Jacarezinho, PR.

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