O caos é bom para carreira?

“Tudo é dependente de tudo mais, tudo é conectado, nada é separado. Portanto, tudo está indo pelo único caminho que pode ir. Se as pessoas fossem diferentes, tudo seria diferente. Elas são o que elas são, portanto tudo é como é.”
G. I. Gurdjjeff

Na Mitologia grega, o Caos era considerado o estado não organizado, ou o nada, de onde todas as coisas surgiam. De acordo com a Teogonia de Hesiold, o Caos precedeu a origem, não só do mundo, mas também dos deuses. A cosmogonia de Orphic afirma que Chronos (personificação do tempo) deu origem a Ether e a Caos, este formou um enorme ovo de onde nasceu o Paraíso, a Terra e Eros.


A investigação do Caos teve início nos anos 60, quando se descobriu que sistemas complexos, que podiam descrever possíveis previsões do tempo, podiam ser traduzidos por equações matemáticas simples. Do mesmo modo, sistemas que eram aparentemente simples e modelos deterministas, podiam levar a problemas muito complexos.
Através do estudo desta ciência, verificou-se que um sistema passa facilmente de um estado de ordem para um estado caótico, podendo surgir, por vezes de uma maneira espontânea, dentro do caos, a ordem.
Um exemplo claro seria uma pedra atirada numa piscina, ás ondas geradas na queda da pedra se propagam até as margens, refletem e retornam, cruzando-se entre si e, portanto, interagindo. Continuando novamente as ondas vão às margens, porém, já distorcidas devido às reflexões anteriores e às interações ocasionadas pelos cruzamentos entre si. Nesse momento começam já a ocorrer alguns movimentos aparentemente caóticos, porém ainda previsíveis, pois são padrões das ondas. Mas se começarmos a jogar pedras aleatoriamente na mesma piscina, quanto mais pedras jogarmos, mais caótico será o padrão das ondas na superfície.
Um termo muito utilizado dentro da teoria do caos é “Efeito borboleta”. Esse efeito foi analisado pela primeira vez em 1963 por Edward Lorenz. Segundo a teoria apresentada, o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo.
A teoria do caos e o efeito borboleta ficaram mais conhecidos do público depois dos filmes “Jurassic Park”, 1993, de Steven Spielberg e “Efeito borboleta” de 2004.
Mas como tudo isso influencia a nossa vida e o nosso sucesso no dia a dia?
Segundo Dulce Magalhães, Ph.D. em Planejamento de Carreira pela Columbia University , é interessante notar que as pessoas com menor sucesso são aquelas que brigam com a ideia da mudança, se aborrecem com a “injustiça” que se abate sobre si, e lutam continuamente para recuperar algo que já passou.
Quando a gente observa o equilíbrio delicado das relações de causa e efeito, percebe que a causa na vida de um indivíduo pode ter múltiplos efeitos, dependendo da maneira como ele lida com essa causa. Assim o sucesso não é consequência de se evitar problemas e desafios, mas de se saber lidar com tudo isso. Isso é um caos, de onde advém a verdadeira ordem da vida, aquela que nos impele ao progresso.
Podemos concluir então que as nossas atitudes desencadeiam acontecimentos que determinarão o nosso futuro, e que são as nossas decisões hoje que determinarão que alguns caminhos se abram e outros se fechem em nossa jornada, com isso influenciando no progresso ou atraso em atingir nossos objetivos.
Nós temos apenas o controle do que fazemos agora, não podemos mudar o passado nem muito menos prever o futuro, nos resta apenas contar com todas as ferramentas possíveis de desenvolvimento neste exato momento, pois somente poderemos utilizá-las no presente, por isso temos que focar toda a nossa energia no que estamos fazendo hoje. O amanhã é o resultado do esforço de hoje.
Mas afinal, quanto realmente nós temos de controle sobre nossa própria vida?

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Roberto Recinella. Escritor

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