O BRASIL NÃO CRESCE PORQUE NÃO TEM SUPER-HERÓIS

Com exceção do famoso Chapolin colorado que tem orgulho de ser mexicano, a maioria dos super-heróis é americana.
Capitão América, Homem Aranha, Homem de Ferro, Hulk, Batman, Cyborg, Flash, Arqueiro verde, Professor Xavier, Falcão Negro, Gavião arqueiro, Quarteto Fantástico e etc.


O domínio e o sucesso dos super-heróis norte-americanos estão diretamente ligados à bem sucedida campanha de expansão americana como exportador cultural de filmes, música, redes fast-food , tênis enfim o “American way of life” (estilo americano de vida) impregnando–se na cultura de outros países dificultando assim o nascimento de grandes heróis fora dos USA , observe que até mesmo aqueles que vieram de outros planetas como Superman, Thor,Caçador de marte, Mulher Maravilha dentre outros adotaram os USA como lar.
Por isso o Brasil tem poucos heróis reconhecidos, alguns até se destacaram, mas não durou neste universo como o Capitão 7, Mancha solar, Raio Negro, Velta, logo sendo esquecidos.
Toda a sociedade aspira ser como os super-heróis! Mas e aquelas que não possuem heróis com quem se identificar?
Neste momento você deve estar se perguntando: E dai?
Boa parte dos super-heróis surgiu na chamada era de ouro dos quadrinhos entre décadas de 20 e 50 no auge da recessão americana, lei seca, quebra da bolsa em 29, 2ª guerra mundial e guerra fria com objetivo de cultivar o patriotismo americano e educar toda uma geração de jovens com valores éticos.
Enfim, os super-heróis se tornaram exemplos de defesa dos direitos humanos, ética e moral, ou seja, auxiliaram para formar o caráter de uma nação.
Após a década de 50 na chamada era de prata os super-heróis, começaram a cair em desgraça coincidentemente depois da publicação do livro “A Sedução dos Inocentes” (Seduction of the Innocent) do psiquiatra Frédéric Wertham que defendia que os gibis incentivavam a delinquência juvenil, o homossexualismo e o desrespeito à hierarquia do estado e família. Assim foi criado pelas editoras o selo CCA (Comics Code Authority) que garantia aos pais que seus filhos não seriam corrompidos pelas publicações, mas a maior contribuição da CCA foi o acordo de que: Super–heróis não matam.
Observe por exemplo o Batman que em seus quase 80 anos, apesar de varias oportunidades, nunca matou nenhum dos seus inimigos valendo-se de um código moral rígido: Que matar significaria se igualar aos assassinos de seus pais.
Do mesmo modo os habitantes nos Alpes na Alemanha, Norte da França, República Tcheca, partes da Áustria e Eslovênia acreditam no Krampus, uma espécie de demônio, que acompanha o Papai Noel, enquanto um distribui presentes às crianças boas o outro avisa e pune as crianças más que acompanha.
Krampus faz o papel do anti-herói que promove valores de bondade nas crianças passadas de pai para filho.
Vou lhe contar uma pequena história para ilustraro artigo.
Como sempre aconteceu no decorrer da história, chega um momento em que uma geração substitui a anterior com valores e comportamentos diferentes. Então imagine que os heróis que conhecemos hoje se aposentassem e os seus sucessores aos poucos os substituíssem.
Como sempre essa transição não é fácil e envolve diversos momentos de tensão. E o principal deles surge quando durante uma batalha, um desses novos heróis mata um vilão e a população o apoia acreditando que isso foi o melhor para o mundo, ou seja, o acordo de Super–heróis de não matar é quebrado.
Animados por ter a chance de superar os seus antecessoresos, os novos heróis começam a abusar de seus poderes não medindo as consequências de seus atos em nome de uma suposta busca da justiça e paz.
Diante do novo cenário e com a aceitação da população, cada vez mais os antigos heróis se afastam de suas funções deixando assim que estes novos heróis ajam à sua maneira na defesa da Terra.
Mas logo os problemas surgem quando o grupo de heróis com diferentes personalidades e motivações se desentende cada um achando que está certo e assim causando estragos ao planeta Terra em sua luta contra o mal.
Superman observando isso a distância da fortaleza da solidão decide intervir criando uma “escola” para educar a nova geração de heróis que se revolta com a intervenção e uma luta entre as gerações se inicia quando os antigos heróis colocam os seus antigos valores de não matar em discussão.
Este é basicamente o enredo do mundo em “O Reino do Amanhã” a HQ escrita por Mark Waid e Alex Ross.
Um dilema moral é colocado em pauta: Em nome da paz um super-herói pode fazer qualquer coisa? Podemos fazer o bem através do mal?
Isto nos leva a uma questão que ultrapassa o fato de o Brasil não crescer porque não tem super-heróis? Isso é uma cortina de fumaça.
Onde estão os nossos bons exemplos de conduta?
O Brasil não cresce, pois estamos, há gerações, envoltos em uma crise de valores que desvia o caráter daqueles que deveriam ser heróis.
Enquanto acreditarmos que jogadores de futebol, participantes de reality shows, artistas de playback, youtuberse e demais criações da mídia são heróis, estaremos fadados a continuar patinando em nosso crescimento.
Ainda somos assolados pela lei de Gerson: “O importante é levar vantagem em tudo certo?”Eternizada na propaganda na década de 70 falando sobre o preço do cigarro Vila Rica.
Até quando iremos permitir que esta máxima nós defina? Já passou da hora de substituirmos valores podres por valores “impulsivadores” de crescimento do Brasil.
Onde estão se escondendo os nossos verdadeiros heróis?

Roberto Recinella, escritor
rrecinella@terra.com.br

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