No Outono da Vida

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No Outono da Vida

Viver bem tem relação com o querer estar bem.
Às vezes me pego feliz, simplesmente, por estar nesta fase da vida usufruindo tudo que ela proporciona. Isto não significa que, a infância, a juventude e a idade adulta não oferecem coisas boas também.
Em todas as fases de nossa vida podemos usufruir aspectos maravilhosos e, igualmente, algumas limitações.
Discorrerei apenas sobre a chamada Terceira Idade e/ou, Melhor Idade que, para mim, além de ser vista como a fase da sabedoria, trouxe coisas surpreendentes.
Nem todos percebem ou agem considerando estes aspectos mas, as experiências vivenciadas ao longo dos anos possibilita o embasamento para uma postura diferenciada e, igualmente, uma sensibilidade melhor equilibrada.
Neste momento descobrimos o que realmente é necessário para uma vida saudável. Podemos diferenciar as necessidades do que, é apenas desejo.
Conseguimos nos satisfazer com o essencial e, nos tornamos extremamente felizes com pequenas coisas que antes pareciam sem valor, tais como, um sorriso à nós dirigido, uma palavra de simpatia e atenção, o amanhecer com sol ou chuva, uma visita inesperada, um elogio sincero, etc. . Nada disto chama muita atenção nos demais períodos da vida, quando estamos atarefados com trabalho ou outros interesses.
As injustiças não doem tanto, pois aprendemos a conhecer o ser humano reconhecendo suas diferenças. Conseguimos nos doar sem esperar troca ou qualquer tipo de reconhecimento. Quando oferecemos algo, não estamos esperando retorno. O prazer que sentimos ao dar nos basta.
Nesta fase torna-se prazeiroso brincar com uma criança, visitar os filhos quando estão disponíveis a nos receber, e podemos sentir a presença de Deus quando o buscamos colocando em suas mãos a nossa preocupação.
Também, é muito agradável passear, quando ainda podemos. Conhecer lugares novos, as belezas que a natureza nos proporciona além de, ter contato com novas culturas.
Há exceções considerando que, existem aqueles que preferem permanecer no seu cantinho, sua casa. Quiçá cultivar uma horta ou pomar, ou um belo jardim. Também há aqueles que gostam de cuidar de animais e aguardar a visita de filhos e netos.
É a fase em que temos mais tempo disponível, pois, ou estamos aposentados ou, nossos limites físicos nos impedem de exercer uma atividade laboral.
Podemos acreditar que as mulheres encontram mais alternativas para ocupar este tempo. Com sua inquietude característica podem exercer atividades artesanais diversas como, bordados, costuras, pintura. Algumas mais arrojadas e, tendo se frustrado de algum sonho quando novas, buscam faze-lo nesta fase.
Voltam a estudar, aprender idiomas, fazer música, etc. A cozinha também é um espaço bem utilizado, além da terra que distrai aquelas que gostam.
Os homens também buscam suas alternativas. Porém, existem pessoas que aproveitam para não fazer nada. E, igualmente, pessoas que usam a maior parte do tempo para reclamar de suas dores e limitações. Aliás, hábito muito desagradável que promove o afastamento dos amigos. Ninguém gosta de ouvir reclamações.
É evidente que, ao chegarmos no outono da vida muita coisa se modificou: a energia e a força física diminuíram, nossa visão está deficiente, os ouvidos não funcionam de igual modo, nossas pernas cansam logo, nosso otimismo está ocupado por pensamentos mais realistas, porém, continuamos amando e sonhando, mesmo que a curto prazo.
Esta realidade depende de mais paciência, amor no coração, sabedoria para reconhecermos tudo de bom e maravilhoso que já usufruímos e o que ainda podemos viver.
Aceitar o outro, entender as mudanças do mundo e aprender conviver com a nova sociedade faz toda diferença.
A experiência que desenvolvemos pode ser utilizada no acréscimo do conhecimento de nossa cultura, enriquecendo o saber tão necessário ao bom viver.
Que a sabedoria de cada um traga paz e harmonia entre todos.

Beth Ecker, escritora

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