sábado , 21 outubro 2017
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Netos queridos!… não cresçam tão depressa…

“Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo”. José Saramago
E que dizer então dos netos, mestre Saramago? Se não aprendemos bem a lição nos dada no curso intensivo de paternidade com os filhos, ai vem os netos ensinando-nos o amor incondicional, a entrega absoluta, a doçura infinda, o afeto desmedido e principalmente a responsabilidade de darmos bons exemplos para que possam marcar as memórias destes pequenos quando crescerem e não estivermos mais ao seu lado…


E se já tivemos tanto medo de perder os nossos filhos agora tudo é multiplicado infinitamente quando olhamos para esses pequeninos ainda tão indefesos, que não são nossos, são apenas emprestados… mas que, daríamos a vida para protegê-los de todos os perigos que os cercarão nesta difícil e perigosa travessia.
Se ser pai e mãe foi um ato de coragem, de exposição a todo tipo de dor nesta constante incerteza que a vida nos revela, ser avô, avó é emoção sem fim desde o anúncio da chegada, os meses de espera, o nascimento, o primeiro ano de intensas transformações, as pequenas conquistas do engatinhar, levantar, andar, balbuciar os primeiros sons até ouvirmos o tão esperado “vovó” com os bracinhos estendidos pedindo colinho!!!
O nosso coração estala de alegria! Valeu a pena todas as incertezas, as inquietudes, todos os medos, as angústias, as dores…
Obrigado meu Deus por esta oportunidade de recuperar o tempo perdido! Na corrida pela vida nos perdemos nos afazeres e não tivemos todo o tempo necessário para curtir os nossos pequenos e quando nos apercebemos já não são mais crianças. Os filhos cresceram muito rápido e de repente nos vimos órfãos dos próprios filhos. Mas aí Deus nos deu uma nova chance: os netos! E no nosso caso são sete novas chances, sete amadinhos.
Concordo plenamente com Affonso Romano de Sant’Anna. “O neto é a hora do carinho ocioso e estocado, não exercido nos próprios filhos e que não pode morrer conosco. Por isso, os avós são tão desmesurados e distribuem tão incontrolável afeição. Os netos são a última oportunidade de reeditar o nosso afeto.”
E que afeto desmedido brota em nós esses pequenos ainda com cheirinho de leite sobre a pele, os abraços gostosos e rápidos nos intervalos de uma brincadeira. Vamos aproveitar o que pudermos as pazinhas de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços, super heróis, as mãozinhas dadas com os amiguinhos, primeiro uniforme do maternal, a mochilinha nas costas, a bagunça do comer sozinho, o acordar sonolento que ainda aceita um colinho da vovó…
Vamos segurar firmes enquanto pudermos essa mãozinha quente e confiante no “tchau, tchau” com o vovô… Logo, logo não estarão mais interessados nesses passeios e talvez nem mesmo em nós. É que as crianças crescem, independente do nosso querer, elas crescem sem pedir licença… E se tornarão meninos, meninas, jovens vivendo num outro mundo, falando coisas que muitas vezes não entenderemos, desconectados de todas as modernidades que nos custam tanto acompanhar.
Essa geração de crianças do século 21, as crianças dos dedinhos ágeis, nascidas em meio à grande revolução tecnológica que estamos vivendo, será muito mais capacitada que a século passado. Criança de luz, crianças índigo, crianças esperança de um mundo melhor, capazes de consertar tantos erros e desmandos que estamos vivenciando. Que Deus ilumine os seus passos nesta jornada da vida, mostrando sempre o caminho do Bem, da Justiça e da Paz! Mas, por favor, Senhor, permita que esses netos queridos não cresçam tão depressa!

Maria Joana Titton Calderari – graduada Letras UFPR, especialização Filosofia-FECILCAM e Ensino Religioso – ASSINTEC-PUC, membro da AML de Campo Mourão- majocalderari@yahoo.com.br

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