“Eles sabem quando você pausa o episódio para ir ao banheiro”, diz Spike Lee sobre controle da Netflix

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“Eles sabem quando você pausa o episódio para ir ao banheiro”, diz Spike Lee sobre controle da Netflix

O cineasta e criador de uma das séries do serviço de streaming fez a declaração durante debate sobre o futuro do cinema, ao lado de David Cronenberg.

Dentre os diretores que definiram a história recente da sétima arte, Spike Lee e David Cronenberg são certamente dois dos maiores destaques. Portanto, ninguém melhor do que os dois realizadores para debater o futuro do cinema, o estado atual das salas de cinema e do circuito tradicional de exibição… e para elogiar a Netflix sem reservas, indo na contramão de vários de seus colegas, como Christopher Nolan e Quentin Tarantino (via The Hollywood Reporter).

Criador e produtor de Ela Quer Tudo, série da Netflix, Lee defendeu a plataforma de streaming por causa da liberdade concedida pelo serviço aos seus assinantes e pelo controle de dados exercido pela companhia: “A Netflix é incrivelmente revolucionária e acho que o streaming e a Netflix são o futuro do cinema. Você pode acessar a qualquer hora de qualquer lugar. É disto que as pessoas precisam […]  Também gosto deles porque eles sabem quando você para de ver, começa a ver. Eles sabem se você viu um episódio inteiro. Não é piada. Eles sabem quando você pausa para ir ao banheiro”.

Tal cenário, considerado distópico por muitos críticos dos serviços da Netflix e apoiadores das formas tradicionais de distribuição e exibição cinematográficas, não assusta Cronenberg. Mestre do cinema de terror e um analista profundo das tecnologias e do impacto exercido pelas mesmas na humanidade desde os anos 1980, o realizador canadense é pragmático: “É uma forma de arte que morreu. Existe uma infinidade de formas de arte que vão e vêm. É apenas o fluxo da tecnologia humana. Não há um problema aí […] Alguns dizem que deveríamos chorar a morte do cinema, mas existem outras coisas pelas quais devemos chorar antes. Este é um processo transformador”.

De fato, a entrada da Netflix na indústria do entretenimento alterou todo o panorama de uma só vez, produzindo ecos impactantes que ainda não foram devidamente compreendidos. Conforme a companhia cresce e busca expandir seu domínio – incluindo no cenário dos prestigiados festivais cinematográficos como Cannes, Veneza e Berlim, e da temporada de premiações, como o Oscar – mais detratores e apoiadores surgem.

É difícil precisar, portanto, qual será o resultado final dos câmbios operados pela Netflix, mas é certo que já é impossível analisar as artes audiovisuais sem levar em conta as ações do serviço de streaming – tanto quanto é garantido que Lee e Cronenberg estarão ao lado da companhia californiana.

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