Crise de valores

“Muitas vezes as pessoas tentam viver a vida às avessas: eles procuram ter mais coisas ou mais dinheiro, para poderem fazer o que querem, de modo que possam ser felizes. A coisa deve funcionar ao contrário: você primeiramente precisa ser quem você realmente é, para então fazer o que precisa ser feito, a fim de ter o que você deseja”. (Shakti Gawain)
Vivemos em uma época que alguns valores se perderam, ou se inverteram, as pessoas acham que a maioria das conquistas vem do mundo externo, mas na realidade vêm de dentro.

Happy students group standing in the class with the teacher working in the school

Antigamente as famílias e escolas tinham mais tempo de convivência e amadurecimento de seus ensinamentos e valores com seus filhos e alunos, enfim as pessoas tinham mais tempo para aprender, apesar de atualmente termos muito mais recursos e informações aprendemos menos, pois não aprendemos a pensar, questionar, praticar, sentir e enfim incorporar o conhecimento, hoje as crianças, jovens e adultos são mais “precoces”, temos adolescentes de 16 anos entrando nas universidades com a enorme responsabilidade de ter que escolher a profissão que irá exercer pelo resto da vida (não me admira que a maioria abandone o curso ou se torne infeliz), temos jovens executivos que tiveram uma carreira brilhante e meteórica e com 40 anos chegam &agra ve; presidência da empresa, não questiono suas competências, mas sua maturidade ou o preço que tiveram que pagar por isso, a maioria deles perdeu a família e amigos pelo caminho.
Preocupa-me como as pessoas atualmente são motivadas pelo simples acúmulo de bens sociais e matérias acreditando que isso lhes trará felicidade, mas ao contrário disso, atrás desta cortina de fumaça, muitas delas ainda continuam dormindo com o inimigo todos os dias, pois não conseguiram atingir a paz interior.
A cada dia observo mais desvios de valores e condutas ao meu redor, basta olhar nas reportagens dos jornais, na escola, na empresa, no supermercado.
Aquele motorista esperto que estaciona na vaga dos deficientes ou idosos ou aquele que estaciona em cima da faixa ocupando duas vagas; o jovem que entra na fila dos idosos no supermercado não dando lugar a um senhor ou senhora que está logo atrás dele; os consumidores que adquirem produtos piratas; os motoristas que tentam dar uma “gorjeta” para o policial de trânsito para se livrarem da multa; o eleitor que no momento do voto se deixa levar pela simpatia do candidato e não acompanha em seu mandato (Você se lembra em quem votou na última eleição?); os precários serviços de atendimento das mais diversas empresas; as mentiras que os vendedores contam para fechar a venda; os bancos que além cobrarem tarifas desconhecidas praticam taxas de juros altíssimas para os empréstimos e baixíssimas para as aplicações; o garçom do estabelecimento que traz a cerveja quente e uma porção fria; os médicos que atendem sem praticamente olhar para o paciente; a maioria das empresas que tem um discurso maravilhoso sobre gestão de pessoas, mas uma prática horrorosa; as pessoas que não retornam suas ligações ou e-mails; que se sentam nos lugares reservados para idosos nos transportes públicos e fingem que estão dormindo.
São esses tipos de pessoas que ajudam a desconstruir nosso mundo, desvirtuar nossos valores e deseducar nossos filhos, são pessoas imediatistas e egoístas que contaminam o nosso dia a dia. Graças a elas somos obrigados a nos contentar com água em vez do vinho dos deuses reservado para nós.
“Não gaste seu precioso tempo perguntando por que não vivemos em um mundo melhor. É tempo perdido. O que você deve se deve perguntar é: O que devo fazer para melhorar o mundo? Para esta pergunta existem muitas respostas.” Wojciechowski
É neste mundo que você quer que seus filhos e netos cresçam?

Roberto Recinella, escritor

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