sábado , 21 outubro 2017
Últimas

PARABÉNS CAMPO MOURÃO PELOS 70 ANOS A MELHOR CIDADE PARA MORAR

A nova edição da Cidade em Revista homenageia Campo Mourão em seus 70 anos com um artigo do escritor Jair Elias dos Santos Junior.

 

 

A construção de uma cidade pelo seu povo.

Dizem que a construção de uma cidade é fruto de gerações. É uma afirmativa verdadeira, ainda mais se tratando da história de Campo Mourão.

História essa que começou nos fins de 1769 e começo de 1770, quando uma expedição iniciada sob o comando do Capitão Estevão Ribeiro Bayão, de São José dos Pinhais, e completada pelo Capitão curitibano Francisco Lopes da Silva, ambos sob o comando geral do Coronel Afonso Botelho de Sampaio e Souza (primo de Morgado de Mateus), após percorrerem o rio Ivaí em toda sua extensão, reconheceram os campos que foram denominados Campos do Mourão. Estes campos, mais tarde tiveram a denominação simplificada para Campos do Mourão e por fim em Campo Mourão. O batismo da descoberta era uma homenagem ao Governador da Província de São Paulo, no período de 1765/1775, Dom Luiz António Botelho de Souza Mourão, a qual se subordinava o Paraná, então sua quarta (e depois quinta) Comarca, que instruiu Afonso Botelho para registrar com seus sobrenomes todas as descobertas que seriam realizadas.
A colonização efetiva de Campo Mourão começou em 16 de setembro de 1903 com a chegada dos Irmãos Pereira (José Luiz Pereira, Miguel Luiz Pereira, Ananias Luiz Pereira, Antônio Luiz Pereira, Inácio Luiz Pereira e Luiz Pereira da Cruz), os quais, acompanhados de suas famílias, construíram suas casas e benfeitorias, dedicando-se à agricultura e à pecuária.
Belas imagens do passado de Campo Mourão foram publicadas em livros, revistas e jornais. São imagens que mostram, nos seus primeiros anos, a cidade rústica, sem luz, sem água encanada, que sofria com o drama da poeira vermelha e da lama dos dias chuvosos. Outras imagens deste tempo já foram levadas ao esquecimento, como, por exemplo, a luta pela terra. O sangue derramado neste interminável embate foi um dos motivos que afugentaram milhares de pessoas que aqui queriam tornar seus sonhos em realidade.
Nos primeiros anos de vida, grandes dificuldades enfrentaram os nossos pioneiros, a começar pela emancipação do município de Pitanga em 1947. Isso somente foi possível graças a uma discussão que Pedro Viriato de Souza Filho teve com assessores do governador Moysés Lupion, isso é claro, dentro do seu gabinete no Palácio São Francisco. Se não fosse este ato bravo de Pedro Viriato, a emancipação seria possível somente anos mais tarde.
Os primeiros alicerces da cidade foram construídos com a ajuda do seu povo. O aeroporto municipal foi aberto em três dias com a força de mais de 400 homens. A pedra fundamental da Usina Mourão somente foi possível com a participação de todos os moradores que abriram a selva e fizeram uma estrada até o Salto São José, onde o governador e as lideranças politicas da época puderam lançar o progresso para a pequena cidade que começava a florescer. Para entretenimento dos moradores, foi fundado o Clube Social e Recreativo “10 de Outubro” em 1951, ideia abraçada pela comunidade. O Ginásio “Campo Mourão” também foi outro sonho coletivo, concretizado com a participação efetiva de todos. A construção da Catedral São José também é outro marco do envolvimento popular. Até a bandeira foi o povo que escolheu.
Em 1964 foi fundado o Conselho Comunitário de Campo Mourão, órgão de coordenação de todas as entidades de classe e forças vivas da comunidade. O Conselho teve forte atuação até o começo dos anos de 1970. No dia 16 de fevereiro de 1966 o prefeito Milton Luiz Pereira foi até a Câmara Municipal comunicar extraoficialmente que, em concurso entre 272 municípios brasileiros, foi Campo Mourão escolhido como “Município Modelo do Paraná”. O título conferido pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário – INDA e pelo Departamento de Assistência Técnica aos Municípios acabou colocando a cidade como representante do Paraná nessa promoção de âmbito nacional.
Um dos fatores que levaram a ganhar o prêmio foi a criação do Conselho Comunitário, que tinha na sua composição a representação de uma pessoa de cada bairro ou localidade do município, associações de classe e a participação efetiva dos vereadores.
O título “Município Modelo” teve dois efeitos concretos: acelerou a licitação para a pavimentação da estrada Campo Mourão à Maringá e a implantação do sistema de iluminação pública no perímetro urbano da cidade. Além destes dois efeitos, a imagem de Campo Mourão foi divulgada nos principais jornais do Brasil.
A campanha institucional contou com o apoio da Acicam, do Conselho Comunitário, da Câmara de Vereadores e com envolvimento direto do prefeito Milton Luiz Pereira, que recebeu inúmeros convites para ministrar palestras sobre este tema, principalmente nas escolas.
Mas a história não para por aqui. A cidade evoluiu e se modernizou. Sua principal avenida ganhava asfalto, as casas feitas de madeira começaram a ser substituídas pelas de alvenaria. Em 1967, o jovem prefeito Milton Luiz Pereira, deixava o cargo para galgar voos maiores. Deixou a Prefeitura nos ombros do povo, e em reconhecimento ao que fez, ganhou um fusca, presente da comunidade.
Na década de 1970, a cidade deu passos largos. Sonhou e conquistou sua faculdade, talvez um dos maiores sonhos coletivos de seus líderes e da sua gente. A faculdade sonhada deu seu primeiro passo com construção do prédio, que teve na sua inauguração a presença de um dos maiores intelectuais do Paraná, Bento Munhoz da Rocha Neto. O prédio foi edificado sem nenhum centavo de recursos do Estado e da União. Ousadia de um povo destemido. Foi nesta euforia destas conquistas e desenvolvimento que surgiu a Coamo, hoje a maior Cooperativa da América Latina e um dos símbolos da pujança econômica da cidade.
Os anos 80 vieram, e que com ele, a cidade se expandiu mais ainda. Ganhou os primeiros “arranha-céus”. A saúde foi expandida para todos. O comércio se fortaleceu. A madeira não era mais a principal fonte de riqueza. A cultura, hoje referência no Estado, dava seus primeiros passos, com a criação da Fundação Cultural e a construção do Teatro Municipal, que muitos achavam uma obra faraônica. Apesar da gritaria de alguns, a obra foi erguida.
Com a chegada do decênio de 1990, novos desafios.
Agora maiores. Neste período destaca-se a concretização da Santa Casa, do Anel Viário, da vinda do CEFET, hoje Universidade Tecnológica Federal do Paraná, que abriu as portas da cidade para milhares de jovens de diversas partes do Brasil. Mas uma cidade nunca está pronta, sempre está em construção ou em reforma. Suas necessidades mudam com o passar das páginas da história e avançam para novos sonhos, acompanhando sempre, a transformação da sociedade dos homens.
Campo Mourão não surgiu do nada, do acaso. Ela é hoje o resultado do trabalho que os nossos antepassados fizeram e que seus descendentes ainda continuam a fazer. A direção deste trabalho que sua população elege a torna diferente.
Em 1964, no seu aniversário, um jornal local destacava “Campo Mourão: idade nova em paisagem moderna”. A reportagem citava que o progresso vivenciado por Campo Mourão, era resultado da “trepidação do mundo contemporâneo”. A cidade despontava “como expoente da primeira grandeza no ritmo de desenvolvimento econômico da Nação, agradecendo a posição geográfica privilegiada, a fecundidade do seu solo e o trabalho perseverante de seu povo”.
Apesar das vitórias e derrotas, a cidade dos nossos antepassados, continuará sempre, como no passado: “o berço dos meus filhos, morada dos meus pais e endereço dos meus amigos”.

* Jair Elias dos Santos Júnior, licenciado em história, autor de vários livros sobre a história de Campo Mourão e do Paraná. É membro da Academia Mourãoense de Letras.
www.jaireliasjunior.com.br

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*