CAIUá – Um Povo em Busca de um Sonho

A história social do Brasil nos mostra um povo resultante de origens bem diversificadas. Porém, isto não impediu o surgimento de preconceitos e deturpações ideológicas que afetam, não apenas o desenvolvimento integral dos diferentes grupos humanos presentes no território nacional, como também, a integração desses seres que carregam culturas divergentes.


Conhecer a Missão Caiua, acrescentou-nos um novo saber, possibilitando a reflexão sobre nosso papel no desenvolvimento e integração de todos aqueles que compõem a população do país.
Há um certo encanto quando ouvimos que, há 90 anos, pessoas idealistas se embrenhavam pelas matas, buscando alcançar nações indígenas para oferecer acesso à catequização e melhorar as condições de vida. Muitos questionam o envolvimento com essas nações, sob a visão da interferência na cultura.
Mas, os que buscam desenvolver o trabalho se sentem estimulados sob outro prisma . Acreditam que podem oferecer melhorias e, inclusive, trabalham com a questão do cristianismo.
A Missão Caiua, em Dourados MS, foi criada em 1928. Atualmente atende vinte e duas aldeias na região. Conta com quatro escolas com pré-escola e Ensino Fundamental, mantendo convênio com as prefeituras dos municípios de Amambai, Dourados, Sossoró e Porto Lindo, todos no Mato Grosso do Sul.Também contam com um Instituto Bíblico que prepara missionários nativos para trabalharem diretamente compovos indígenas.
Na sede de Dourados, há um hospital, cujo atendimento está voltado a 95% de indígenas Caiua, guarani e Tereno. Possui setor de pediatria e maternidade. Procuram utilizar, no relacionamento com o povo, metodologia adequada aos costumes dos mesmos.
Deste modo, eles se sentem livres para as visitas considerando que não há rigidez de horários e nem quanto ao número de pessoas que podem visitar.
O hospital é credenciado pelo SUS, mas depende, e muito, de doações.
O corpo técnico é formado por 43% de profissionais indígenas.
Na visita ao hospital foi possível observar que logo na entrada fica o ambulatório onde os doentes são avaliados e encaminhados para os respectivos setores de atendimento.
Além de uma médica residente, outros cinco médicos, que vêm da cidade atendem na unidade.
Atualmente, estão em campanha visando a um médico que queira morar na missão e que tenha visão missionária.
No local não há UTI e o único aparelho de RX disponível está inativo, aguardando verba para conserto.
Achei bastante interessante a existência da casa do fogo que oportuniza aos indígenas o costume da queima enquanto conversam e tomam o chimarrão. Os administradores tomaram a decisão de construir esse espaço porque eles faziam fogo dentro de qualquer cômodo.
Os partos são naturais na maioria. Usam o método de cócoras e também o ginecológico, mais comum nos hospitais.
A ala feminina é separada da masculina. Na parte central do prédio existe um local de lazer para as crianças.
O almoço, além de ser servido aos doentes, também é oferecido às visitas que sempre o aguardam antes de irem para suas aldeias.

Há uma construção nova para substituir o centrinho, local que abriga crianças portadoras de necessidades especiais e que, na maioria, são abandonadas pelas mães. Elas ficam morando no hospital.
Atualmente, o maior desafio são os recursos humanos, como explicou a enfermeira chefe e diretora do hospital, Senhora
Ester que mostrou as limitações em que vivem. Informou que existe, em Minas Gerais, um ministério denominado “Mãos na Massa” que, esporadicamente vem e fica um bom período trabalhando no local. As pessoas são voluntárias e se dedicam a todo tipo de atividades.
Também contam com um consultório odontológico, um tanto ultrapassadoe sem profissional. Isto torna inútil sua existência.
Também visitamos a maior aldeia Caiua da região onde conhecemos uma missionária guarani, líder no local. Falando ao grupo ela disse: “Diante de Deus, todos somos um só. Não há cor e nem etnia.”
É interessante conversar com eles, pois, podemos sentir,como se veem e como nos veem. Na maioria das vezes substimamos o pensar daqueles que vivem em situação de pobreza.
Confundimos conhecimento com poder aquisitivo.
Há diversas congregações que reúnem os vários indígenas advindos das diversas aldeias. As mesmas são dirigidas por missionários indígenas. Cantam e oram no próprio idioma. Já possuem a Bíblia traduzida para o Caiua e também um hinário traduzido para o idioma próprio.
A Escola também respeita o idioma Caiua e procura valorizar a própria cultura. por isso, naquela região, considera-se que essas aldeias foram as que mesmos sofreram com o problema de aculturação.
É desagradável sabermos que, apesar do difícil trabalho desenvolvido por voluntários e profissionais dedicados, existem influências políticas de indivíduos que procuram se infiltrar na organização, movidos por motivos escusos e interesses pessoais.
A abrangência do projeto sofre com interferência de pessoas que dificultam a liberdade do trabalho e tiram a credibilidade do mesmo em algumas situações.
Porém, estando lá, é possível reconhecer a carência de recursos e as limitações reais para o desenvolvimento do trabalho de seus responsáveis.
O apoio comunitário e das Igrejas são indispensáveis para a construção de uma vida digna às populações indígenas da região que compõem o complexo Caiua.

Beth Ecker.

Check Also

A Banalização do Ensino Superior

Nossa história mostra claramente que, o acesso ao mundo acadêmico foi algo lento e difícil …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *