Alegria na Convivência Familiar

Como indivíduos livres, com liberdade de pensamento e expressão, apresentamos forte tendência de falar o que queremos sem nos preocuparmos com o peso de nossas palavras.


Os sábios afirmam que as palavras têm poder, o que deve justificar nossa postura de observar e pensar antes de dizer qualquer coisa.
Estudando a cultura do índio Guarani foi possível destacar que, para esse povo, o ser humano só era considerado completo a partir do momento em que começava falar. A fala para o povo dessa nação significava o advento da vida e a capacidade de entendimento.
Considerando o nível de importância da linguagem, representada pela fala, é mister utilizá-la de forma adequada, considerando sua essência e valor.
Através dela nos relacionamos socialmente, transmitimos o que pensamos e podemos ouvir também o que outros querem nos transmitir. Descobrimos o mundo do saber e podemos fazer feliz ou infeliz aqueles que nos cercam.
Com palavras podemos transmitir amor, alegria, encorajamento, manifestar gratidão, pesar, confiança, admiração enfim, passar algo de bom onde quer que estivermos.
Porém, também podemos magoar, destruir, provocar discórdias, conflitos, levar infelicidade e tristezas, falsear informações, disseminar o ódio..
O uso adequado das palavras depende de inúmeros fatores, tais como; maturidade, educação, bom senso, formação moral, tendências comportamentais, enfim, o próprio querer ser e fazer.
A felicidade individual tem relação com a postura pessoal. Tudo que fazemos e falamos resulta em conseqüências.
Importante se faz lembrar que somos livres para dizermos o que queremos mas, não evitar de ouvir o que não desejamos.
À cada ação corresponde uma reação.
Pelo exposto é possível entender o segredo de uma boa convivência familiar.
O grupo familiar se compõem de pessoas de diferentes origens, formação cultural e, portanto, portadores de opiniões distintas. Se pais e irmãos se mostram diferentes em pensamentos e atitudes no cotidiano, imagine aqueles que adentram no seu meio através das uniões conjugais e/ou outras formas.
Deste modo, onde há maturidade e equilíbrio emocional, isto pode ser reconhecido como crescimento e troca de experiências. Cada indivíduo carrega consigo uma gama de saberes que pode ser acrescentado ao grupo através de trocas na convivência comum do dia a dia, desde que haja aceitação.
Como ignorar informações aprendidas no decorrer da vida daqueles que estão adentrando no âmbito familiar?
O acréscimo enriquecedor pode ocorrer na culinária, hábitos higiênicos, estímulo a um trato saudável entre as pessoas, informações acadêmicas e culturais garantindo novos conhecimentos lingüísticos entre outros, histórias diferentes, usos terapêuticos, enfim… possibilidade de acréscimo aos conhecimentos, sem contar a alegria do próprio convívio.
Ter uma família unida e saudável é sempre uma benção. Isto depende, totalmente, das pessoas que a compõe..
Devemos ser modelo de tolerância e lideres do bem viver nesse meio.
Se é verdade que todos temos liberdade de pensamento e opinião, não é correto nem justo tentarmos impor o nosso modo de ver e ser aos demais membros do grupo. É de fundamental importância agirmos com racionalidade frente ao direito dos demais.
Para conservar nossa individualidade basta conhecer e respeitar a postura do próximo sem nos obrigarmos aderir à do outro.
Saber calar no momento oportuno é uma arte que inibe conflitos e garante a paz e harmonia geral.
Não há vencedor em nenhuma situação de discórdia ou discussão. O que há, é a construção de rancor e a frustração por não conseguir a mudança de postura do interlocutor.
O que ganhamos quando impomos ao outro a nossa opinião? Isto prova que somos melhores? Que sabemos mais? Ou que somos tolos ao achar que aquele que se calou concordou conosco?
Podemos relacionar inúmeros impeditivos de um relacionamento harmonioso e feliz no âmbito familiar, tais como: unidade familiar onde filhos têm maior autoridade que os pais, definindo o que querem comer, a que horas, em que canal a TV deve ficar ligada, se querem ou não ir à escola, quem será bem vindo na casa, se ouvem os pais ou impõem seus argumentos, se seus desejos devem ser satisfeitos em prejuízo das reais necessidades de todos, enfim… governam literalmente o ambiente em todos os sentidos. Neste caso, outros familiares percebem a anomalia do funcionamento daquele espaço e, para não compartilhar, ou se afastam ou acabam criticando gerando conflitos.
Outro fator causador de desequilíbrio é a inexistência de colaboração entre os membros componentes do grupo.
Como exemplo podemos citar o caso do lar onde a mulher exerce sozinha o papel de organizadora garantindo tudo na hora certa e lugar certo, e os demais usufruem de todos os direitos de tranqüilidade e bem-estar sem compartilhar com nenhuma obrigação. Isto causa stress e mau humor daquelas que estão sendo exploradas como eternas serviçais sem nada ganharem para isto.
Também convivemos com um fator negativo e muito presente na vida atual. O hábito do consumismo. Frente ao desajuste econômico, desejos superando necessidades, gastos superando ganhos, pressões constantes sobre os provedores da família gerando stress, conflitos e, até destruição de lares. Esse fator tornou-se mais grave com o advento da crise econômica do país e conseqüente crescimento do desemprego.
Nosso velho conhecido “conflito de gerações”, também influi negativamente nessas relações.
Influências externas como dificuldades no trabalho, doenças, falta de acesso para superação de dificuldades e necessidades originam, igualmente, sérios conflitos.
Juntando-se a isto temos, o problema da dependência química representada pelo alcoolismo, uso de drogas , bem presentes na sociedade atual.
A superação de fatores tão graves e negativos dependendo da vontade real dos envolvidos exige muita paciência, fé, colaboração, equilíbrio emocional, recursos materiais e profissionais, e uma constante busca pela paz e harmonia familiar.
Se houver foco nesse sentido, compreensão e colaboração entre todos, a convivência familiar saudável poderá ser conquistada.
Portanto, vale buscar a paz e harmonia nos relacionamentos garantindo a possibilidade de uma vivência mais saudável e de qualidade.

Beth Ecker.

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