A Banalização do Ensino Superior

Nossa história mostra claramente que, o acesso ao mundo acadêmico foi algo lento e difícil para a grande maioria da população.
Inicialmente foi privilégio apenas das classes abastadas e, destinada potencialmente aos homens. Às donzelas restava a preocupação de destinar uma formação relacionada aos afazeres domésticos, tais como, as artes manuais, música, etiqueta e nada que desenvolvesse seu senso crítico visto que, não seria interessante numa relação conjugal.
Cada época com sua realidade ideológica cultural.


O tempo passou, os valores culturais sofreram grandes transformações acompanhando a evolução social e os recursos que avançavam.
Não há como negar que a presença religiosa da época, através dos Colégios católicos, e posteriormente, evangélicos também, contribuíram para o avanço do ensino.
Nesta época, as atividades escolares não estavam voltadas às facilidades, ou mesmo, objetivos de agradar aprendizes ou seus genitores provedores. O foco era, em especial, a erudição. O currículo era pesado e difícil, se comparado aos de hoje, porém proporcionava um saber de qualidade. Decorrente disto, o ensino era valorizado, assim como os professores que eram também, respeitados.
Como tudo muda, com o passar dos anos surge a Escola Pública e gratuita. A princípio, seletiva e igualmente de excelência. Quem passava por ela desenvolvia habilidades de leitura, escrita, discurso, idioma, contas, bom comportamento, brasilidade, etc.
Porém, paulatinamente, em razão de ideologias populistas, ocorreu a implantação de um sistema aberto à população. Daí, a necessidade de adequar e, por conseguinte, facilitar o acesso ao ambiente escolar.
Muitas escolas são construídas e, atendendo a grande demanda popular, o sistema cresce. Assim como acontece o crescimento quantitativo, surge o declínio qualitativo.
Preparar profissionais qualificados para todos os estabelecimentos criados demandava custos. Isto não fazia parte das definições ideológicas daqueles que implantavam escolas nos diversos Estados da União. Assim, paulatinamente, o problema se acentuou.
Agora, percebemos claramente, que atingiu o ápice a desvalorização do saber e da busca por excelência. Não só o ensino fundamental e médio, como também, o Superior, estão sendo violentamente banalizados.
Assistimos dos representantes dos governos um discurso favorável aos cursos EAD como solução popular de acesso à Universidade, enquanto a qualidade se torna cada vez mais pobre.
Difícil acreditar que toda população estudantil do país é autodidata.
Sabemos que o saber implica no desenvolvimento de teoria e prática. A figura do aluno não está independente à do professor que orienta e acompanha.
Como acreditar que cursos de Engenharia, Agronomia, Pedagogia, Psicologia, etc on line podem garantir a mesma qualidade de um curso regular, com práticas realizadas cotidianamente pelos alunos, acompanhadas de profissionais no dia a dia?
Que profissionais teremos futuramente?
Não questiono a existência de tais cursos para atender interessados de regiões onde inexistem Instituições de Ensino.
Mas, substituir cursos regulares, em centros de fácil acesso ,por cursos baratos de EAD, que não oferecem a mesma qualidade dos frequenciais, é difícil aceitar.
Sem contar que, com o advento deste novo comércio de cursos, a distinção e conseqüente discriminação profissional será uma realidade negativa futura.
Qualquer empresa, ao buscar um profissional qualificado, não estará preocupada com o diploma, mas sim, com o tipo de formação recebida pelo indivíduo.
Em nossa empresa já presenciamos a diferença de desempenho no trabalho de pessoas com formação em curso regular da com formação em curso on line. Infelizmente há diferença.
Importante se faz, rever o que queremos para nossos jovens e, acima de tudo, que não desmontemos os bons cursos que ainda existem.
Devemos continuar em busca de uma educação de qualidade. Nossa sociedade merece profissionais bem preparados e, nossos jovens, merecem uma formação que lhes garanta condições de acesso ao mercado de trabalho, com competência, e, em igualdade de condições com aqueles que têm acesso aos cursos regulares.
Diploma não tem nenhum significado quando não garantem um saber concreto e potencialmente qualificado.

Beth Ecker.

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